April 09, 2011

Bênção ou Castigo?


"Felicidade é uma viagem, não um destino."
"O que importará mesmo, na "vida verdadeira", será o conhecimento interior, serão os laços de amizade e amor, serão os talentos desenvolvidos." (Luiz Polito)


A sociedade (no caso 'comunidade' da analogia) é regulada pelos homens. Independente se vivemos no Brasil, nos EUA, na Europa, Ásia, África ou qualquer outro lugar, esta é regulada pelas leis e cultura locais, pela idéia do que o homem faz de si e dos seus. A cultura, a história do país e povo, o clima e os costumes são fatos que não podemos mudar. Podemos escolher mudar, pra melhor ou pra pior, ou não, dependendo da 'liberdade' que esta sociedade nos proporciona.

Já a 'vida verdadeira' é o que fazemos com todo o conhecimento e experiências que temos. Quando somos jovens, não pensamos muito nisso. Quando amadurecemos, aprendemos a aproveitar melhor a vida e os nossos dias com coisas que nos fazem bem e cultivamos características da personalidade que precisamos, ou sabemos que são melhores, para nossa própria felicidade e convivência com os outros.

Cada um sabe o que é melhor pra si. A partir do momento que temos o conhecimento do Plano de Salvação, fica difícil encontrar qualquer outra coisa que substitua a caminhada que devemos percorrer no 'caminho apertado e estreito' para que possamos desfrutar de bênçãos para nós e nossa família, em todas as áreas de nossa existência, não somente espiritual. Podemos encontrar paliativos que nos ajudem aqui ou ali, e acredito que tudo quando se está buscando o melhor, é válido. Mas, sempre retornamos onde a raiz do melhor se encontra, de uma forma ou outra, pois sabemos que queremos o melhor, e merecemos.

O arbítrio que nos é dado é essencial nesse processo, pois somente quando aprendemos por nós mesmos, damos valor e vivemos, e gostamos do que nos tornamos, e descobrimos que não temos limites de aplicar a sabedoria que adquirimos.

De novo, a atitude é o que importa.

Ou seja, independente do estilo de vida que tenhamos, o país que tenhamos nascido, a criação que nossos pais nos deram, os erros que cometeram, as oportunidades que tivemos na vida, o que vale e o que mais importa é o que estamos fazendo disso tudo. Precisamos perdoar, esquecer, agir e optar pelo otimismo.



O fato de ver um copo metade vazio ou metade cheio (como Elder Utchdorf cita), de julgar nossa vida uma lei da selva ou um Plano de Amor, faz grande diferença nas consequências de nossos dias, tanto às nossas famílias, quanto à nós mesmos.

O Senhor declarou: “Deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e em verdade até o fim.
Grande será sua recompensa e eterna sua glória” (D&C 76:5–6).

A arte de encontrar o lado bom de uma tragédia




Particularmente embora eu sempre procure ser otimista e ver o lado bom de tudo, e pesar na balança as possibilidades, é complicado tentar achar esse 'lado bom' em todas as coisas ruins. Muitas delas simplesmente não existem.

O entendimento de que coisas boas e ruins podem acontecer a todos, crianças, mulheres, homens, idosos, etc é necessário, e a atitude que temos de ação ou reação quando estas coisas acontecem é que fará a diferença.

Mesmo sem o entendimento do Evangelho, do Plano do Pai, e das provações para que nos façam fortes, etc., muitos conseguem ter uma atitude positiva, ou pelo menos não tão dramática e ao invés de lamentar e procurar culpados, arregaça as mangas e vai ajudar aqueles que precisam nessas situações.




Esse assassinato na escola do Rio, por exemplo.

Wellington Menezes de Oliveira, o rapaz que disparou os tiros nos adolescentes na escola, segundo entrevista com sua irmã logo após o ocorrido, era muçulmano e havia contraído o vírus da Aids, estava revoltadíssimo com a vida e acabou fazendo como muitos, matou muitos e se matou em seguida. Deixou uma carta que seu corpo deveria ser tocado por pessoas puras e coberto com lençol branco, que um cristão deveria pedir ao seu Deus que o perdoasse pelo que ele tinha acabado de fazer.

Enfim. Vi muita crítica ao governo do Brasil ("porque o governo não faz muito pra prevenir esse tipo de coisa"), muitas foram ao país Estados Unidos ("porque isso é coisa de país materialista que não quer saber de pessoas, mas só de dinheiro e não daqui do Brasil este país quase perfeito"), críticas à religião do rapaz (na verdade, o fundamentalismo é culpado, não a religião)... mas como ter certeza de seus motivos?

Essa atitude, tentando encontrar culpados quando algo ruim acontece é lamentável.

Todos os dias morrem crianças assassinadas em escolas do Brasil, ah mas esse foi 'cópia do que acontece nos EUA, terrorismo'. Na década de 90, em Campinas, uma família inteira de 9 pessoas (7 crianças de 1 a 10 anos) foram mortas por metralhadora pelos chefes do tráfico, e uma nota de 3 cm apareceu no jornal. E há notícias todos os dias desse porte, só não vê quem não quer.

O que eu quero dizer com isso tudo é, que tentar achar o lado bom de tudo é válido somente a título de aprendizagem, pois a atitude que temos quando algo ruim nos acontece é o que vale, e o que vai contar no último dia.

Todos nós temos provações de algum tipo ou outro em nossa vida, alguns se revoltam e se afastam de Deus, outros se achegam ainda mais. Outros preferem julgar e apontar os culpados, ao invés de se prevenir (e não esperar que somente o governo, religião ou outros o façam) para que isso não aconteça consigo mesmo.

Se racionalizarmos as coisas ruins tentando encontrar sempre algo bom nelas, é quase que um desprezo para os envolvidos na tragédia, que muito provavelmente, não terão nada de bom, a não ser a atitude de ser grato pelos momentos que puderam viver junto àqueles que perderam, e conscientizar os outros e a si mesmos que fizeram o melhor que poderiam, como no caso das crianças do Rio.

Acontecimentos lamentáveis assim, na minha opinião, são um 'wake up call' para que haja mais segurança nas escolas, e outras necessidades básicas que uma comunidade precisa.

P.S.: Que não depende somente do governo, da polícia, mas de cada um de nós.

Mas, temos que considerar que, após o choque de ver um crime, o entendimento e a necessidade de continuar a vida surgem.

Pra nós que somos pais e mães, qual entendimento desses acontecimentos queremos passar para os nossos filhos?

Qual tipo de atitude queremos que eles tenham no decorrer de suas vidas quando coisas ruins acontecerem?

Queremos que ajam com sabedoria, e não sofram como nós sofremos com nossos erros, ou queremos que repitam os atos errados daqueles que propagam esse comportamento destrutivo e pessimista?

O fato de que devemos procurar culpados, julgar, acusar, brigar, fazer barulho porque algo inacreditável aconteceu, difere da atitude de que devemos entender que muitas coisas ruins poderiam ser evitadas, mas já que aconteceram, precisamos buscar sim o melhor, e fazer o que se pode de positivo nessas situações.

Todos temos o direito de perder a paciência, de ficar com raiva, de ficar triste, de ficar frustrado, decepcionado. E estes são sentimentos normais. Mas precisamos ensinar nossos filhos (mesmo que a sociedade, algumas religiões, governos, culturas ensinem o contrário) que isto não nos dá o direito de sermos cruéis, e descontarmos no próximo nossas provações e a incapacidade de lidarmos com elas.

Acredito que é importante lembrar porém, que a tendência a se omitir de decisões ou atos necessários muitas vezes, vem com esse comportamento de que temos que aceitar tudo e agradecer por tudo. É necessário que alcancemos um auto conhecimento, de forma que saibamos o que fazer quando algo nos acontece, e daí, a serenidade para ser capaz de tomar decisões corretas com calma, mas que são necessárias, e muitas vezes urgentes.

Afastar-se pra manter a postura de pacífico, mas não agir quando necessário, traz uma certa hipocrisia ao que aprendemos com o Evangelho de Jesus Cristo, que nem de longe era omisso.