April 03, 2011

Vícios e nossa resistência.



Ninguém tem pré-disposição para ter vícios. Se temos ascendentes que tiveram algum, talvez (a ciência ainda não tem certeza absoluta disso) nascemos com algumas células a mais que são mais suscetíveis a contrair vícios mais facilmente que outras pessoas. Todos nós temos células cancerígenas em nosso corpo por exemplo, mas depende de nosso estilo de vida desenvolvê-las ou não, e para muitos outros problemas.

Errar todos erramos. Alguns dizem que, 'nem todos fazem boas escolhas todo o tempo', e eu digo que ninguém faz boas escolhas todo o tempo. Ninguém, o único perfeito foi Jesus Cristo.

Mas, talvez para alguns seja mais difícil controlar algumas 'vontades' do que para outros, e mudar suas atitudes em relação por exemplo, a um 'vício', mas não é impossível. Nada é impossível, principalmente quando se coloca em prática o que sabemos, como oração, jejum e humildade.

Não precisamos viver em círculos, mesmo apesar de tantos erros passados, se não conseguimos mudar nossa atitude e começar algum dia a fazer boas escolhas. E, ao invés de sempre ceder às tentações do vício, de tantas coisas, quando é que vamos evoluir seja pessoalmente, espiritualmente ou de qualquer outra forma?

Todos os dias temos coisas que nos tiram a paciência, que não estão planejadas, pessoas que mais atrapalham que ajudam, mas será que precisamos mesmo largar nosso bem estar por qualquer uma dessas coisas?

Não precisamos também tomar toda a culpa de tudo o que fazemos, ou nos achar incompetentes porque não conseguimos nos livrar de um vício por exemplo. Existe ajuda. Existe tratamento pra tudo.

Mas, a primeira 'boa' escolha talvez a se fazer para ter uma vida que nos traga mais felicidade ao invés de regressos e arrependimentos todo tempo, e o sentimento de querer se livrar da própria responsabilidade e culpar a tudo e todos pelos próprios fracassos, é assumir definitivamente que se é filho (a) de Deus e que merece ser feliz. Nada menos que isso.

Se há 'predisposição' ao vício, ele somente se instala se a pessoa usar a droga. Fato.

Independente se se tem um vício ou não, há ajuda e tratamento para todas elas. Não é fácil nem rápido, mas é possível.

Eu já trabalhei, fiz estágio ou voluntariei em várias clínicas de recuperação de drogados, alcoolismo ou drogas, anorexia, e outras, e a linha de base é a mesma que eu disse lá atrás: o aprendizado para o controle de si mesmo.

E isso depende de muitas coisas, principalmente da pessoa querer e decidir de uma vez por todas enfrentar a si mesmo(a).

Conheço centenas que conseguiram, pois assumiram suas faltas, se responsabilizaram pelos seus erros, levantaram depois que caíram.

Não importa se a família por dez gerações tem uma vida de vícios, se a religião diz que é pecado, se o vizinho oferece uma droga, se o mundo está acabando, se há pessoas umas contra as outras. Nada importa se se decide mudar e de uma vez por todas deixar o drama da vida, seja coisa ruim demais ou coisas boas demais, atingirem qualquer balanço mental.

Nem todo mundo é forte. Mas o orgulho é o primeiro degrau do fracasso.

Ninguém precisa passar por tudo isso sozinho.

Mas esta é somente minha opinião, talvez pela experiência diária de ver dezenas de pessoas todos os dias onde, algumas continuam caindo e culpando a família, os amigos, a religião, e uma lista de outras coisas, e nunca conseguem se aprumar na vida. Quando algo vai bem, estão bem, quando algo vai mal, tudo e todos são culpados. Ao mesmo tempo vejo outras, e realmente, e infelizmente, esta é a porcentagem menor, onde mesmo com tudo contra elas e com exemplo nenhum de ninguém, e muitas vezes, sem ajuda nenhuma, tomam uma atitude em relação às suas vidas, e vencem, humildemente, pouco a pouco, tudo o que precisam.

Ou seja, é possível. Mas tem que haver paciência. E fé.

Eu também não acredito que seja culpa da genética, ou da religião, ou de Deus que permite termos o arbítrio para escolher.

Muitas vezes a família é repressora, ensina, amedronta os filhos, mas nossos pais também estão tentando, talvez eles não saibam fazer diferente porque nunca aprenderam outra opção.

Muitas pessoas que nascem no seio de uma casta lá no meio da Indonésia vivem daquela forma, se prostituindo, sendo castradas ou assassinadas por nada, talvez porque não saibam outro estilo de vida.

Mas, a partir do momento que obtemos o conhecimento, somos responsáveis por aquilo que sabemos, por aquilo tudo que até agora fizemos e não sabíamos e podemos agora mudar e corrigir, por coisas que não fazíamos a mínima idéia e agora entendemos.

Por isso, conhecimento é poder.

Poder de transformar o que está errado e fazer melhor, poder de corrigir o que precisa ser corrigido, poder de trazer à luz o que precisa ser divulgado, seja para ajudar o próximo, se ajudar ou simplesmente informar.

Muitos utilizam o conhecimento pelo lado contrário, tentando confundir ainda mais a pessoa, e ajudando-a a racionalizar seus vícios e dúvidas, e não trazem luz nenhuma.

Quando eu falo sobre auto conhecimento, não tem relação com arrogância, egoísmo, orgulho. Auto conhecimento é diferente disso.

Quando nos conhecemos de verdade, muitas vezes nos assustamos com o que vemos. Tendemos principalmente a mascarar nossos pontos negativos. Mas aí é uma oportunidade para corrigir o que está errado. Muitas vezes, se fazemos isso, muitos não aceitam, continuam a nos julgar por coisas que fizemos anos atrás.

Eu levo muito à sério a frase do Salvador, "Ame o próximo como a si mesmo". Impossível amar e ajudar o próximo como ele merece se não podemos fazer isso nem por nós mesmos.

Muitas vezes também, o que criticamos no outro é justamente o que precisamos ter. Ou, algo que custamos a mudar, e o outro nos apresenta os mesmos defeitos de que nos livramos, então não o aceitamos.

Uma amiga me disse que viciados precisam de alguém que ''nos olhe com compreensão e amor'. E esta pessoa primeiramente precisa ser nós mesmos. Não podemos ser tão duros com nós mesmos, muito menos com o próximo.

O maior julgamento, e este 'será glorioso e feliz para alguns, e um horror e com ranger de dentes para outros' será o de Jesus Cristo, depois de todas as chances que tivemos para mudar o que precisamos em nós mesmos.

Quanto mais cedo começarmos melhor, pois assim teremos mais tempo para desfrutar de nós mesmos da forma que queremos.

Quando leio as escrituras, é claro que Jesus trabalhava o autoconhecimento em seus discípulos.

E o mais importante é a caridade que traz mais autoconhecimento, desde que feita com o coração e não por obrigação.
Quando nos conhecemos agimos com virtude, e esta nos faz livres de nosso próprio ego e nos vemos com mais respeito e carinho. Consequentemente seremos generosos, humildes, honestos, fiéisl, bondosos, respeitosos, pacientes e simples, pois aplicaremos o que sabemos de nós agora para o bem do próximo, sem sermos egoístas, que Cristo altamente reprovava.

As invirtudes, como orgulho, inveja, ira, preguiça, avareza, gula, luxúria, falsidade, desonestidade, desrrespeitabilidade são parte de vícios que não assumimos e que culpamos ou cobramos de outros de termos ou não.

Quando eu digo que ninguém tem culpa de nossas escolhas, é justamente porque acho que cada um deve ser responsável por seus próprios atos.

Lembro-me na Cadeia Campinas-Sumaré uma vez para uma entrevista com um psicopata que estava preso por 623 anos. Ele havia matado e estuprado, esquartejado e até comido partes de suas quase 230 vítimas, mulheres. Ele contava com a maior naturalidade como havia feito o processo de corte/abatimento/receita de churrasco de algumas delas.

Suas respostas eram sempre, "Porque ela me provocou", "ela me seduziu", "ela me deixou nervoso", "ela estava com medo", e muitas outras, eu lhe perguntei se ele era mesmo totalmente incapaz de se auto controlar e não tinha remorso algum por algumas delas.

A resposta dele foi:

"Eu fiz porque quis."

Enfim. Há muitas vítimas do sistema por aí, mas a maioria precisa somente assumir sua própria responsabilidade.

Uma mensagem clara de Elder Ballard, onde ele fala sobre e como o vício tira nosso arbítrio. Infelizmente ainda somente em inglês:

http://www.youtube.com/watch?v=ry8-YIwnEcU&feature=player_embedded#at=78

E como a Expiação de Cristo (e o entendimento dela) pode nos livrar de qualquer vício

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