July 22, 2010

Lobos internos


A vida virtual (seja entre amigos virtuais, comunidades de debates ou outro) é cheia de pessoas diferentes, que, por falta de um entendimento e capacidade de interpretar o que os outros dizem, muitas vezes fazem uma guerra sobre palavras, chegando a odiar uns aos outros.

Tenho certeza que muitos mal entendidos jamais aconteceriam, se as partes envolvidas se conhecessem pessoalmente e tivessem a oportunidade de conversar sobre as questões que geram mal estar.

Já me senti culpada antes por ter a impressão de que criamos monstros nestes locais. Pessoas que descobrem o fato 'virtual' e acham que podem ter suas neuras jogadas ao vento, usando de fakes e angariando outros para se difamar a vida alheia, ou degenerar a visão dos 'ungidos do Senhor'.

Cheguei a conversar com um líder muito digno à respeito numa situação bem recente a qual mostrei até cópias das mensagens trocadas a respeito do problema.

Ele me disse: "Como você acha que Deus se sentiu quando Satanás escolheu ser quem é?" O que eu não posso imaginar, mas ele foi além e me explicou que, mesmo que erremos, se nos desculpamos, a escolha não é nossa mais. Não está mais à nossa arcada resolver o problema.

Então ele me contou sobre a história dos Lobos Internos.


"Um dia um velho avô foi procurado por seu neto, que estava com raiva de um amigo que o havia ofendido.

O sábio velhinho acalmou o neto e disse com carinho:

"Deixe-me contar-lhe uma história.

Eu mesmo, algumas vezes, senti muito ódio daqueles que me ofenderam tanto sem arrependimento, todavia, o ódio corrói a nossa intimidade mas não fere nosso inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que o inimigo morra.

Lutei muitas vezes contra esses sentimentos.

O neto ouvia com atenção as considerações do avô. E ele continuou:

"É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom, não magoa ninguém. Vive em harmonia com todos e não se ofende.

Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva.

Mesmo as pequenas coisas desagradáveis o levam facilmente a um ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. É tão irracional que nunca consegue mudar coisa alguma!

Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:

"E qual deles vence, vovô?"

O avô sorriu e respondeu baixinho:

"Aquele que eu alimento mais freqüentemente".



A figura do lobo é significativa, uma vez que representa o grau de animosidade que ainda rege as nossas ações.

Enquanto o ser humano não desenvolver todas as virtudes que o elevarão à categoria de espírito superior, sempre haverá em sua intimidade um pouco do que chamamos de 'homem natural'. E essa luta interna é que irá definindo o nosso amanhã, de acordo com o lado que mais alimentamos.

Por vezes, um simples ato impensado, uma simples ação infeliz, pode nos trazer conseqüências amargas por longo tempo. Mesmo se um líder inspirado, ou um amigo lhes pedir que esqueçam o problema, perdoem-se e parem com as provocações, fazendo um esforço para que ajam como Cristo, eles não querem ouvir. Continuam com a vitimização, fofoca e tudo mais, e assim, tomam o veneno, esperando que o objeto de seu ódio morra em seu lugar.

Paulo, o grande apóstolo do cristianismo, identificou muito bem essa luta íntima quando disse: "o bem que eu quero, esse eu não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço."

Indignado por algumas vezes ainda ser dominado pelo "homem velho e natural", em prejuízo do homem novo e divino que desejava ser, Paulo desabafou e nos deixou esta grande lição: é preciso perseverar.

É preciso deixar que esse lobo sedento de vingança e obcecado pela ira, que ainda encontra vitalidade em nosso íntimo, não receba alimento e desapareça de vez por todas, cedendo lugar ao homem moralmente renovado que desejamos ser.

Agindo dessa maneira poderemos um dia, não muito distante, dizer como o próprio apóstolo Paulo disse, depois de vencer a si mesmo: "já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim."

Mas, para que cheguemos a esse ponto, temos que travar muitas batalhas internas a fim de fazer com que os ensinamentos e os exemplos de Jesus, o Mestre por excelência, façam sentido para nós a ponto de se constituir em força motriz, a impulsionar os nossos pensamentos e atos.



Paulo de Tarso foi um dos primeiros perseguidores dos cristãos em nome da sua crença religiosa, depois que viu o mestre às portas da cidade de Damasco, tornou-se seu seguidor fiel até os últimos dias de sua vida.

Muitos ainda hoje preferem ser politicamente corretos ao invés de divinamente revelados. Preferem apoiar o que acontece no mundo e que é contra os ensinamentos de Deus e massacrar seus seguidores, colocando palavras onde Cristo não disse e supondo que Ele agiria assim ou assado, ao invés de deixarem o orgulho de lado, e enxergarem a realidade como ela é.
Mas, para se chegar ao ponto de colocar o lobo mau fora de si mesmo, é preciso silenciar muitas vezes a fera interna que tentava falar mais alto.

Paulo precisou renunciar a si mesmo, deixar o orgulho de lado, tomar da sua cruz e seguir os passos luminosos do Mestre de Nazaré para que sua vida fizesse sentido.

Nós?

Temos a obrigação de perdoar, como eu havia escrito neste post.



(autor desconhecido da história)

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