February 16, 2010

Crise de Balzac



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.

Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Pessoas que mal lhe conhecem e decidem que você é nada. Quando descobrem que você é muito mais que eles, acabam com sua reputação.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.

Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o Milênio. Este está feito.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Chega de palavras vazias! Preciso de ações. Já!

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Drama é pura perda de tempo!

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos a limpo”. Cada um escolhe o que quer pra si.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coro, ou que pensam ser indispensáveis em seu pequeno mundo conhecido de ninguém.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

Continuo amando a vida, e as pessoas. Mas apenas gastarei meu tempo com o que é essencial.

Porque o essencial faz a vida valer a pena.



(a.d. - adaptado por mim)

4 comments:

Anonymous said...

Very Good topic and thoughts. I agree with them. Once time is spent it is gone. Time proves all things. You are the best.

Hallison Liberato said...

Muito bom, Chris!

Aprendi algo com a bacia de jabuticabas, elas acabam.
Algo que me lembrou um livro famoso que li há muito tempo, e que também mudou uma importante visão em minha vida, apesar de não ter sido a mudança que o livro pretendia: Quem roubou o meu queijo.

O fato de deixar o que foi e viver o que é, torna-nos mais felizes.

Eliude A. Santos said...

Wisdom and time are very precious blessings. But only a few are endowed with the blessing of wisdom after using half of the blessing of the time they have received. You are one of them!

Chris Ayres said...

Like I've said: I keep loving people and simplicity in life. I miss some of them, but I know we will see each other again. The biggest blessing in life is have friends that know us and feel that connection that never matters despite where we are in the globe, or out of it.