January 05, 2010

Orgulho - Vício dos Vícios.


"Algumas pessoas se exaltam acima de Deus e Seus servos ungidos devido à experiência e conhecimento secular que acumularam. Jamais devemos permitir que nosso intelecto seja colocado à frente de nosso espírito. Nosso intelecto pode alimentar nosso espírito, e nosso espírito pode alimentar nosso intelecto, mas se permitirmos que nosso intelecto tenha precedência sobre nosso espírito, tropeçaremos, seremos críticos e até talvez perderemos o testemunho. O conhecimento é muito importante e é uma das poucas coisas que nos acompanharão em nossa vida futura (D&C 130:18-19). Devemos aprender sempre. Entretanto, precisamos ter o cuidado de não pôr de lado nossa fé nesse processo, pois a fé na verdade aumenta nossa capacidade de aprender". 2 Néfi 9:28-29,42. (Joseph B. Wirthlin, Conferência de Outubro de 2004, p. 102).

Há um famoso e ótimo discurso do Profeta Ezra Taft Benson, Beware of Pride, (Acautelai-vos do orgulho):



Todos nós temos fases em nossas vidas. Alguns progridem, mas sempre de acordo com sua própria visão de progresso.


Rancor, egoísmo, fofoca, amargura, vaidade, ar de superioridade são frutos do orgulho.

Há pessoas super inteligentes, mas que querem moldar outras pessoas dentro dos parâmetros dele... é muito difícil um ser humano de caráter superior que consiga estabelecer uma relação de troca saudável... e isso nunca vai acontecer com alguns, porque eles se sentem a última bolacha do pacote...

A grande diferença entre um e outro é que uns tem síndrome de Lúcifer: ganharam algum conhecimento e se acham mais inteligentes que Deus, tentam agora controlar a mente dos homens para agirem dentro do que eles sentem ser certo, e quando não conseguem, procuram fazê-los sentirem-se tão miseráveis quanto eles o são.
Outros também ganham algum conhecimento mas percebem a Fonte desse conhecimento, talvez não consigam se manter à altura de tudo o que aprendem, mas entendem que é possível e procuram edificar seus amigos porque sabem que sua felicidade é sua glória.


Orgulho é o contrário de falta de auto-conhecimento, sejam em membros da Igreja, ou em não membros. Possuam eles conhecimento ou não.


Para se auto-conhecer-se, é necessária a humildade.

Portanto conhecimento pode gerar orgulho, mas auto-conhecimento gera humildade, característica básica para quem realmente segue a Cristo e cumpre seus mandamentos.


Todos são orgulhosos em algo. O fato de acusarmos uns aos outros, seja no Mormonismo ou não, já demonstra o nosso orgulho.


A palavra orgulho vem do frâncico (a língua germânica ocidental dos francos, pertencente ao grupo de línguas do alto-alemão e responsável pelo grande estrato de elementos germânicos do vocabulário francês) 'urguli', 'excelência', pelo catalão 'orgull' e possessivo, pelo espanhol 'orgullo'.

Tem sentido dúbio já na origem.

O orgulho está relacionado à ilusão; na verdade, ele é liberalmente uma ilusão. Está relacionado à aquisição de idéias e sua interpretação, e ao sentido de discriminação entre o real e o irreal que começa a despertar.

O orgulho se apresenta como uma percepção exagerada de si mesmo, pomposidade, importância exagerada e um ego inflado. Está presente em todos os seres humanos em um grau ou outro e também em formas muito sutis. O orgulho é a identificação mental do conhecimento de si mesmo como um eu, por isso ele é uma parte do egotismo, o Eu, ou “Eu-ismo”).

O orgulho nos impede de ser quem realmente somos, impede que encontremos o verdadeiro EU, distorce a realidade, porque é uma ilusão. O orgulho nutre a separatividade.

Quando alguém é presa do orgulho, se afasta de seu próximo. O orgulho também nutre seu filho ilegítimo: a condescendência, a atitude de quem olha para os outros “por cima do nariz”, do alto de sua torre de marfim.

O orgulho está relacionado ao medo e à baixa auto-estima.

Todos os graus de orgulho estão relacionados à correta interpretação do conhecimento. A sabedoria vê através do orgulho, como um resultado do conhecimento aplicado à vida do dia-a-dia.

O conhecimento é relativo, e quando é pouco pode ser uma coisa muito perigosa.
 
"Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe."


Leonardo di ser Piero da Vinci
 
Informar-nos continuamente, mantermos uma mente aberta, estarmos dispostos a modificar ou a mudar completamente nossas idéias, é um bom antídoto contra o orgulho. O orgulho só se manifesta quando existe apego e excesso de identificação com o nosso processo contínuo de compreensão do conhecimento do eu, ou do sentido do eu, quer seja física, emocional ou mental.


Se o conhecimento é absorvido sem uma correta discriminação, a ilusão se forma; se o conhecimento é identificado com o eu, o orgulho é criado — um sentido irrealista e inflado de ego, o não-eu.

No intercâmbio e na partilha do conhecimento, um dos grandes impedimentos é o orgulho. Se muito orgulho está presente, nem um engajamento mútuo, nem um verdadeiro diálogo acontecem. Quando o orgulho prega monólogos, pronunciamentos definitivos, afirmações e argumentos inacessíveis, inibe uma exploração mais profunda entre as duas partes. Se através do orgulho, alguém tem o interesse assumido de proteger suas amadas teorias ou idéias, o diálogo não acontece, nem a escuta um do outro.

É o que acontece aqui e em relações humanas em geral. A busca do entendimento entre as pessoas vem de ambos deixarem o orgulho de lado, não ficarem se acusando quem tem mais conhecimento, pois este é relativo, e diz respeito somente à pessoa que o tem, ou não o tem.

Naturalmente, diálogo é ouvir, aprender, falar e informar, intercambiando mutuamente informações que beneficiam as duas partes, onde todos saem enriquecidos e alcançam uma compreensão mais profunda. Isso só pode ser conseguido se uma humildade verdadeira, esse grande antídoto para o orgulho, estiver presente e ativa (não uma visão afetada).

Se não se fizer isso, um dia será obrigado a comer da torta da humildade, que estava fora da dieta.

Ainda em tempo: Todos nós a comemos, sem exceção, uma vez ou outra por essa vida afora. 

1 comment:

jefhcardoso said...

É preciso antes de tudo humildade para reconhecer o ser magnífico que está sobre todos nós.

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