November 21, 2009

Escolhas de Vida


"A não ser que os santos assistam a todas as suas reuniões, será muito difícil se manterem firmes no evangelho". (Presidente Anthon H. Lund).


Eh a vivencia do Evangelho no dia a dia que intensifica a conversao e o nao afastamento da Igreja. Eh a internalizacao dos principios que aprendemos e que temos que nos afasta de um tipo de vida que nao nos diz mais respeito, e o comprometimento em nos aperfeicoarmos a cada dia. Nao adianta ir tambem a todas as atividades e reunioes da Igreja se nao se vive o Evangelho fora dela.

Mudar de vida e construir uma pessoa melhor em si mesmo nao eh facil nem rapido, leva tempo e precisa ter paciencia.

O que eu vejo eh que as pessoas mudam algumas coisas muito rapido e querem tudo o que acham que merecem muito rapido, mas a propria conversao eh lenta, e as bencaos vem pouco a pouco, e dai a persistencia e a perseveranca vao influenciar nas atitudes.

Se se desiste no meio do caminho, um vai e volta acontece. Se se progride e mantem-se o foco sempre, fica mais facil de lidar com certas passagens de nossa vida onde se exige mais atencao.

O homem não pode ser autônomo em sua vida moral, isto é, deliberar livremente sobre sua conduta. Pois o que conduz seus atos é a vontade e não a razão.

Alguns dizem que no mormonismo, é preciso dar espaço ao erro para os líderes.

Acrescentando que nao somente no 'Mormonismo', mas em todas as outras religioes, politicos, culturas, racas e mais.

Talmage explicou a respeito de traducoes de escrituras e podemos ainda aplicar isso a palavra dos lideres:

“Não há, nem pode haver, uma tradução absolutamente fidedigna destas ou outras Escrituras, a menos que se faça por meio do dom de tradução…leia-se pois a Bíblia reverentemente e com cuidado e oração, buscando o leitor a luz do Espírito sempre para poder distingüir entre a verdade e os erros dos homens” (Artículos de Fe, pág. 263).

Muitas vezes o membro procrastinando em encher o seu vaso interior para ajudar o seu proximo (fazer uma visita por exemplo), esvazia o seu proprio e o do proximo.

"Ao longo de toda a jornada da vida, há fatalidades. Alguns se desviam do caminho demarcado que leva à vida eterna, para depois descobrir que o desvio escolhido acaba em um beco sem saída. A indiferença, a negligência, o egoísmo e o pecado ceifam preciosas vidas humanas.

Todos podem mudar para melhor. Ao longo dos anos, fizemos muitos apelos aos menos ativos, aos ofendidos, aos críticos, aos transgressores, para que voltem. “Voltem e banqueteiem-se na mesa do Senhor e provem novamente os doces e prazerosos frutos da integração com os santos.”

No santuário íntimo da consciência de cada pessoa existe aquele espírito, aquela determinação de desfazer-se do velho eu e atingir a plena estatura do verdadeiro potencial. Nesse espírito, fazemos novamente este sincero convite: voltem.

Estendemos a mão para vocês com puro amor de Cristo e expressamos nosso desejo de ajudá-los, de dar-lhes as boas-vindas e integrá-los plenamente. Para os que estão magoados ou que estão hesitantes e temerosos, dizemos: Deixem-nos elevá-los, alegrá-los e afastar-lhes os temores. Aceitem literalmente o convite do Senhor: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”."

(Thomas Monson, Conferencia de Abril de 2008)


Que nossas atitudes em relacao aos inativos nao sejam diferentes disso.

"A mortalidade é um período de teste, uma época para mostrar que somos dignos de voltar à presença de nosso Pai Celestial. Para sermos testados, precisamos às vezes enfrentar desafios e dificuldades. Às vezes, parece não haver luz no fim do túnel, parece que não haverá uma aurora depois da escuridão da noite. Sentimo-nos cercados pela dor de corações quebrantados, pelo desapontamento de sonhos desfeitos e pelo desespero de esperanças perdidas.


Exclamamos, como na Bíblia: “Porventura não há bálsamo em Gileade?”

Temos a tendência de ver nossos próprios infortúnios através do prisma distorcido do pessimismo. Sentimo-nos abandonados, inconsoláveis e sozinhos. Se vocês acharem que estão nessa situação, peço que se voltem para o Pai Celestial com fé. Ele vai erguê-los e guiá-los. Nem sempre Ele eliminará suas aflições, mas vai consolá-los e mostrar-lhes o caminho com amor, através de todas as tempestades que tiverem de enfrentar. "
Do mesmo discurso "Olhar para tras e seguir em frente" De Thomas Monson, Conferencia Geral, abril 2008.

Lembremos que o Salvador apaziguou a tempestade estando no meio dela.

So nestas passagens, entendo que o Presidente Thomas Monson quer dizer que nao precisamos ter um pecado ou nao estarmos vivendo os convenios para que nos distanciemos da Igreja. Ha sim momentos muito dificeis em nossa vida (para quem nunca os teve, esteja preparado), alguns insuportaveis. O que temos que fazer com pessoas menos ativas eh lembra-las que o Senhor ainda esta la, e ficarmos ao seu lado para servirmos de instrumento quando precisarem.

Sobre erros de líderes, que são muitos, tenho certeza que eles responderão por seus atos. Mas, nós também responderemos por nossas ações. A alguns sobe à cabeça, e talvez porque têm que se preocupar com muitas outras coisas, não dão o devido tempo e valor às pessoas, que deveriam tratar como o 'filho pródigo'' e não jogar as pedras como faziam no VT.


Quando me lembro disso, lembro do discurso de Elder Bednard que já foi citado aqui, onde ele diz que as pessoas podem 'optar por não se ofender':

http://www.lds.org/conference/talk/display/0,5232,23-2-647-32,00.html

Assim todos os líderes fossem como ele conta de quando era Presidente de Estaca, talvez não haveriam tantos inativos e anti mórmons.

São palavras dele:

''O Salvador é o maior exemplo de como devemos reagir a acontecimentos ou situações potencialmente ofensivos.

E o mundo, devido à iniqüidade, julgá-lo-á como uma coisa sem valor; portanto o açoitam e ele suporta-o; e ferem-no e ele suporta-o. Sim, cospem nele e ele suporta-o por causa de sua amorosa bondade e longanimidade para com os filhos dos homens” (1 Néfi 19:9).

Por meio do poder fortalecedor da Expiação de Jesus Cristo, vocês e eu seremos abençoados para evitar e vencer as ofensas. “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Salmos 119:165).''

Nietzsche in Assim falou Zaratustra -

"Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança. Há muitas coisas pesadas para o espírito, para o espírito forte e sólido, respeitável. A força deste espírito está bradando por coisas pesadas, e das mais pesadas.

Há o quer que seja pesado? -- pergunta o espírito sólido. E ajoelha-se como camelo e quer que o carreguem bem. Que há mais pesado, heróis -- pergunta o espírito sólido -- a fim de eu o deitar sobre mim, para que a minha forca se recreie? (...)

O espírito sólido sobrecarrega-se de todas estas coisas pesadíssimas; e à semelhança do camelo que corre carregado pelo deserto, assim ele corre pelo seu deserto.

No deserto mais solitário, porém, se efetua a segunda transformação: o espírito torna-se leão; quer conquistar a liberdade e ser senhor no seu próprio deserto.

Procura então o seu último senhor, quer ser seu inimigo e de seus dias; quer lutar pela vitória com o grande dragão. (...) "Tu deves", assim se chama o grande dragão; mas o espírito do leão diz: "Eu quero". (...)

Para criar a liberdade e um santo NÃO, mesmo perante o dever; para isso, meus irmãos, é preciso o leão.

Conquistar o direito de criar novos valores é a mais terrível apropriação aos olhos de um espírito sólido e respeitoso. (...) Como o mais santo, amou em seu tempo o "tu deves" e agora tem que ver a ilusão e arbitrariedade até no mais santo, a fim de conquistar a liberdade à custa do seu amor. É preciso um leão para esse feito.

Dizei-me, porém, irmãos: que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o altivo leão se mude em criança? A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação. (...)

Três transformações do espírito vos mencionei: como o espírito se transformava em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança". Assim falava Zaratustra."

Acredito que todo mundo tem sua fase 'camelo'... quanto maior a "carga" mais fácil será para a pessoa chegar ao estágio do leão. Quanto maior a quantidade de obediência às regras, de instrução, de captura das informações para forjar a competência para a vida, melhor. Quanto mais pesada a carga, mais poderoso será o leão que virá após.


Mas aí todos nós temos a fase do deserto. Na primeira Páscoa, quando os judeus enfrentaram o Faraó, o Mar Vermelho, o deserto e, após lutas de conquista, finalmente alcançaram e tomaram para si a Terra Prometida. A ideia de deserto passa exatamente a noção de um período de dificuldades onde a pessoa que deseja algo melhor se submete a um esforço em prol de um objetivo. O deserto representa um ritual, um longo ritual, de iniciação. Esse ritual não só molda e transforma como faz a pessoa ser e se sentir merecedora dos benefícios que passará a ter após sua chegada.

No deserto, e por conta do esforço, se opera a segunda transformação: aparece o Leão. E a função do leão é matar o dragão. A meu ver, o leão é o candidato preparado. Apenas o deserto, apenas a carga pesadíssima, prepara para esta fase. Como diz Nietzsche, o Leão "quer conquistar a liberdade e ser senhor no seu próprio deserto".

Mas... as dificuldades representam "o dragão". E este "dragão" é interessante, pois as provações, injustiças, julgamentos, imperfeições do ser humano, tudo isso faz com que você tenha que se convencer que não está ali à força ("Tu deves"), mas por que é sua escolha ("Eu quero"). Acho que ninguém aguenta a pressão se não souber bem por que está ali, se não tiver um bom motivo. Este motivo pode ser até mesmo rodear-se de gente interessante, ou aliar-se a um grupo. E que se a pessoa cumpre seus deveres isto está de bom tamanho. Mas, em qualquer caso, é preciso saber que estamos ali por que queremos. E a base de se estar ali é conhecer A Quem servimos e Quem somos e nossa missão aqui.

Na ideia original, o "Tu deves" que o dragão pronuncia é o efeito da força civilizadora, são as pressões sociais, desde as mais remotas e/ou profundas até as mais pueris. É isto que torna o homem escravo de uma série de coisas, de uma série de "deveres". Este homem é o que precisa matar o dragão e dizer o que ele quer. Mas a corda arrebenta pro lado onde tem maior pressão, o mundo...


O resultado da acumulação de conhecimentos com a coragem de lutar, ou seja, o fruto do esforço do camelo e da coragem do leão é fazer com que o dragão seja vencido. Então, com a posse, surge a criança: o novo, o novo começo, uma nova fase cheia de prêmios, novos desafios e novas possibilidades. Até, como cita Nietzsche, um certo "esquecimento", pois os sofrimentos anteriores, embora não apagados da memória (e isso é bom), são alvo de um pincel colorido e doce que passa por cima de nossa história tornando-a mais agradável, mais colorida, com um tom de "valeu a pena!".

O leão se perde facilmente. Apenas a criança tem o poder da constância. Então, a criança poderá fazer o que é impossível ao leão. Quantas vezes fomos maltratados, desprezados, desrespeitados? Quantas vezes injustiças foram feitas? Pois bem, quando nos tornamos como uma criança temos o poder de mudar isso. E, então, vale a questão: o que poderá a criança que não haja podido fazer o leão?

Contudo, é com a disposição do camelo, e com a coragem do leão, com a soma e o uso das habilidades hauridas no deserto que se fará, com o poder da criança, um novo tempo na vida de cada um de nós. Ser responsável e assumir o que somos, independente do que escolhemos, e sermos responsáveis e assumirmos também as consequências de todos os nossos atos, sem culpar ninguém, ou uma Organização ou mesmo uma Igreja.

Temos que fazer a parte do camelo, virar leão, vencer o dragão e... limpar nosso vaso interior de tudo, das mágoas, dos preconceitos, e perdoar-nos. Afinal, podemos passar por todas essas fases várias vezes.

Cristo disse que é das crianças o Reino dos Céus.

4 comments:

Johnny said...

Estou cansado de tentar ensinar essas verdades eternas a quem faz ouvidos mocos e só busca pretextos para achar faltas em mim...

Chris Ayres said...

Não desistir é fazer sua parte. A agressividade do outro é uma forma de superar o sentimento de inferioridade que ele deve ter. Inferioridade por saber de suas falhas, por querer encobri-las e não conseguir, pensando que magoando quem ama superará isso. Na verdade, um dia, mesmo que tarde, a ficha sempre cai.

Ana Paula Minetto Tokay said...

Chris gostei muito do que escreveu, é exatamente o que estou passando, suas palavras sempre me ajudam. beijo

Chris Ayres said...

Ana, eu sei que você é uma leoa! Já passou muitas vezes por muitas fases, e se notar, tem sido vitoriosa na maioria delas... continue, acredite! Você pode passar por tudo isso, e colher os frutos de boas escolhas sempre. Não desanime! Beijo querida!