October 05, 2009

Ler ou pensar?


Sou uma fa de Albert Einstein e, entre muitas de suas citacoes, ele disse:

"A leitura, após certa idade, distrai excessivamente o espírito humano de suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê demais e usa o cérebro de menos, adquire a preguiça de pensar."


E entao, o que eh mais importante? Ler ou pensar?

Ele também disse como continuação da frase acima:


"Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela.


É pequeno o número de pessoas que vêem com seus próprios olhos e pensam por suas próprias mentes. Grandes espíritos sempre encontraram oposições violentas de mentes medíocres."

Eu concordo que ler sem pensar não traz resultado. É isso o que o Evangelho propõe: Ler - Ponderar - Orar, e daí o silêncio, quando a verdade é revelada, como ele mesmo disse adiante.

Acredito que em nosso dia a dia também funcione assim: Lemos várias opiniões, se pensarmos e refletirmos a partir do que lemos, teremos a nossa, senão estaremos apenas plagiando alguém.

A leitura acrescenta, reformula, retifica, ratifica as teorias de mundo que cada um traz consigo. Uma palavra nova, uma idéia, não são simplesmente somadas às que se conhece. Na troca leitor-texto, o último nunca está só: leva consigo outros textos, outras produções, enquanto que o primeiro informa ao segundo todas suas experiências prévias como leitor, seus encontros com a linguagem, sua vida, seu projeto de leitura.

Da mesma forma, as pessoas que lêem pouco e não expressam, em relação à leitura, fruição intelectual, não conseguem chegar à conclusões próprias, e sentem-se compelidas a seguir outros que pensam por elas. Na maioria das vezes, a leitura pode ajudar a pensar mas ela precisa ser feita com profundidade.

Eu considero que o pensar do homem e do mundo, exige de nós que saibamos ler diferentes textos, apresentados por diferentes meios: texto escrito, texto digitalizado, texto imagético (a imagem poética, evocada em romances, poesias, música, contos, filmes, teatro, por exemplo; e também o desenho, a gravura, a pintura, a fotografia).

Disso tudo, depois de um silêncio, é que se revelam as idéias.


Eu incluiria ainda, ao ler e pensar, o escrever. Meu pai era escritor e dizia que escrever é como jogar xadrez. Por quê? A pessoa que sabe jogar visualiza o tabuleiro para ganhar o adversário. Ela pensará cada peça movida. Portanto, o jogo de xadrez pode ajudar-nos a desenvolver a lógica, do raciocínio e do problema; habilidade de memória, da concentração e da visualização; a confiança; a paciência; a determinação; o equilíbrio; a expressão de si mesmo, a atenção; a criatividade; a capacidade para aprender as intenções do outro.


Porém, qual é a relação de xadrez com o ato de escrever? Para escrever, precisa-se muito treinamento da memória para organizar as idéias.

A leitura é a busca inicial do conhecimento, mas não é o conhecimento por si só. Teóricos estão em sua maioria distante da prática, acho que é isso que Einstein quis dizer, até porque ele próprio não gostava de ler muito. Porém, ler muito e de TUDO é que nos dá a capacidade de compreender mais e, de posse da compreensão adquirida, podermos, enfim, expressarmos nossa própria opinião.

Tinha um personagem na tv, chamado Odorico Paraguaçú, prefeito de "Sucupira", que dizia assim: "Como dizia Machado de Assis ..." e soltava uma frase qualquer. Quando interpelado sobre se Machado de Assis havia dito aquilo mesmo, ele respondia:

"Se não disse, devia ter dito". Eu ria muito!

O que traduz que, no final das contas, a raça humana desenvolvida confunde-se numa só "coisa" ... Todos acabam ficando muito parecidos uns com os outros, principalmente se não pensam.

Portanto, como eu disse lá atrás, Einstein não gostava de ler, mas nem por isso ele ficava alheio às fontes de informação.

Louis Pasteur disse "Muita ciência nos aproxima de Deus. Pouca ciência, nos afasta".

Ele quis dizer que o conhecimento, quando correto, nos alça à condição de deuses (que é o que aprendemos).

Afinal, graças ao conhecimento o Homem pode chegar aonde chegou.
 
É quando lemos, e pensamos no que lemos, que obtemos nosso próprio pensamento, por isso inclui o Escrever acima, assim, outros poderão 'nos' ler.


Não podemos esquecer também que Einsten era gênio. Nós não somos. Einstein, o Albert genial, podia se dar ao luxo de "não gostar de ler". Gênios geralmente não precisam de livros, nem de escolas, nem de quem os ensine. Gênios meio que nascem gênios, ou melhor, nascem com uma capacidade acima da média e costumam pular etapas.

Mas podemos chegar a uma boa parte do caminho se fizermos aquela leitura 'profunda' e pensarmos, como sugerido, e escrever nossos próprios pensamentos. A arte de pensar é a manifestação sublime da inteligência, mas a arte de pensar 'junto' com empatia pelo que se lê é ainda mais difícil.


Tenho um livro aqui em casa de Augusto Cury onde ele diz que para atingir o ápice do pensar, precisamos mesmo desenvolver qualitativamente essa arte, até em nossa vida diária e assim expandiremos as funções de nossa inteligência, tais como aprender a se interiorizar, destilar sabedoria diante das dores, trabalhar as perdas e frustrações com dignidade, agregar idéias, pensar com liberdade e consciência crítica, romper as ditaduras intelectuais (buscando o que é louvável), gerenciar com maturidade os pensamentos e emoções nos focos de tensão, aprender a contemplar o belo e o inocente, a se doar sem a contrapartida do retorno, e a se colocar no lugar do outro.

Ele ainda conclui dizendo que a pessoa que conseguiu atingir a perfeição nesta arte foi Jesus Cristo.

Aqui o capítulo onde ele fala disso:

http://www.scribd.com/doc/6896083/A-Arte-de-Pensar-Joao

E um video sobre o tema:

http://www.youtube.com/watch?v=iRDoRN8wJ_w&feature=player_embedded

No comments: