October 13, 2009

"Eu sou a Luz do Mundo"


No Livro VII da Republica de Platao, temos o conto da Caverna, onde existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.


Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira.

Os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.

Um dos prisioneiros decide abandonar essa condição e fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. Aos poucos vai se movendo e avança na direção do muro e o escala, com dificuldade enfrenta os obstáculos que encontra e sai da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.

Alguns se utilizam deste conto de Platao para desdenhar as religioes, para se livrar delas, e para criticar e julgar aqueles que ainda permanecem nas Igrejas.

"Interessante que o sentido que Platao quis dar ao mito da Caverna eh totalmente oposto.
Para Platão a caverna simboliza nosso mundo material, e a saída da caverna seria o mundo metafísico, um mundo de idéias muito mais perfeita do que o nosso em que vivemos. A saída da Caverna era exatamente a abertura para um mundo espiritual, um mundo em que estava além da mera percepção materialista de nosso mundo em que estávamos acorrentado.

Aqueles que conseguiam vislumbrar além da Caverna eram chamados "loucos", "insanos" e eram menosprezados e apredejados tal como foram os profetas e oráculos de Deus." (MS)

Eu estudei sobre essa metáfora quando fazia uma matéria que chamava Psicologia da Educação, e a interpretação dela tambem era completamente oposta.


Isso também tem muito a ver com o mito de Sísifo, onde busca uma reflexão à respeito da Solidão. Esta alegoria de Platão é utilizada ainda no estudo de fobias. A interpretação dada também pode ser como o homem que foge e retorna para a caverna seria como um cientista que prova e propaga o conhecimento para os homens que estao presos na caverna. Os homens presos seriam como homens comuns, que agem por impulsos e instintos e são facilmente alienados, o que pode ser comparado com a imprensa em geral, como televisao e revistas.

Já quando estudamos Sociologia, esse texto esta inserido na obra A República, que combina engenhosamente um modelo de utopia social a uma teoria sobre a construção do conhecimento humano. Platão expõe aqui suas idéias políticas e filosóficas, ao lado de propostas estéticas, éticas, pedagógicas e jurídicas. Claro que esses conceitos são muitas vezes vistos pelo viés contemporâneo, mas se as perguntas sobre obras antigas pertencem ao nosso tempo, as respostas tem que carregar o sentido de seu tempo, mesmo que através de nossa subjetividade.

As interpretações do Mito da Caverna costumam ser orientadas para os niveis de compreensão da realidade que as pessoas vivem. Isso é bem válido, o que geralmente é esquecido é que essa graduação é intrínseca a cada forma de "ciência" da época. A metáfora é sobre isso, cada "ator" da cena do Mito da caverna representa um estagio de conhecimento da realidade, ligada a formas de conhecimento como o Sofismo, os pensadores pré socráticos e os filósofos.

Já se formos interpretar a metáfora por Pascal, diremos que um cara conseguiu sair da caverna desde criança. Ele sempre pode ir e vir, até q um dia resolveu falar pro povo como sair da caverna e o que tinha lá fora. Ele disse mais ou menos isso: "Pra sair da caverna é fácil! Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!"

Resultado, mataram o cara.

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