November 02, 2013

Discernimento entre Sugestão, Auto-Sugestão e os Sussuros do Espírito.





Um dia me perguntaram qual era a diferenca entre sugestão, auto sugestão e os doces sussuros do Espírito Santo.

Vou tentar explicar.






Há algum tempo atrás, eu escrevi um artigo para o site Familia.com.br onde explico as diferenças entre Sugestão, Auto-sugestão e Inspiração, de acordo com os conceitos dados pelo psicólogo Émile Coué que você pode ler na íntegra aqui:

http://familia.com.br/diferenccedilas-entre-sugestatildeo-autossugestatildeo-e-intuiccedilatildeo

Trazendo esses conceitos para o testemunho pessoal e comparando-os com o sussurro do espírito.

Leia os conceitos naquele artigo sobre Sugestão e Auto sugestão.

Algumas pessoas podem dizer que o Testemunho por exemplo poderá ocorrer desta forma, repetindo várias vezes por exemplo que a Igreja é verdadeira, introduziremos isso no nosso inconsciente, e mesmo que tenhamos algo que dite o contrário, não conseguiremos desviar nossa vida muito além de desacreditarmos no que nos “condicionamos”.

Errado. Quem tem um testemunho desenvolvido por sugestão ou auto-sugestão, tende a racionalizar a insensibilidade como um treino.
 
Intuição

De acordo com nossa evolução pessoal, os dois pólos do ser humano são a consciência exterior clara e consciência interior latente, e estas tendem a fundir-se conforme a vivência de cada um.

Quanto mais sensível à vida nos tornamos mais intuição desenvolvemos. É isso o que acontece com as mães, o senso do eterno que ela gera, co-participação, cuidado, forma um vínculo com o objeto (no caso os filhos) que faz com que essa evolução seja mais rápida que em outros seres humanos, por exemplo.

A intuição é o conjunto de conhecimentos próprios adquiridos ao largo das múltiplas experiências diárias que temos, que nos afloram à mente espontaneamente, sem necessidade de ninguém lhe transmitir nada, pois que tais conhecimentos pertencem ao seu universo peculiar e subjetivo de conhecimentos. Ou seja, estão em nosso subconsciente (que não controlamos conscientemente).

Um exemplo de intuição pode ser encontrado no romance de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas. Riobaldo e Diadorim são dois jagunços ligados pela mais profunda amizade e lealdade, companheiros de lutas e cumpridores de uma vingança de sangue contra os assassinos da família de Diadorim. Riobaldo, porém, sente-se cheio de angústia e atormentado, pois seus sentimentos por Diadorim são confusos, como se entre eles houvesse muito mais do que a amizade. Diadorim é assassinado. Quando o corpo é trazido para ser preparado para o funeral, Riobaldo descobre que Diadorim era mulher. De uma só vez, num só lance, Riobaldo compreende tudo o que sentia, todos os fatos acontecidos entre eles, todas as conversas que haviam tido, todos os gestos estranhos de Diadorim e compreende, instantaneamente, a verdade: estivera apaixonado por Diadorim.

Existem vários tipos de Intuição e é possível dizer que a maioria dos membros da Igreja apegam-se no Evangelho pela intuição empírica, que é o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo. a Igreja tem gente boa, tem bons princípios, se é bom é de Deus.

Inspiração

Já Inspiração, embora em alguns dicionários vá encontrar como sinônimo Sugestão, é algo que não tem um background que possa ser explicado. É espontânea, é um socorro imediato e de bom grado. Seria um dom nato como poetas, compositores, autores possuem.

Sussurros do Espírito

Digamos que é a transmissão dos pensamentos e mensagens de uma mente para outra, "um assopro" de um Espírito para outro ( o nosso) que possa livremente dispor de uma determinada figura, de uma idéia, de um quadro mental.

Nos Sussurros do Espírito há uma parte que acontece indepedentemente de nossas ações, que não pode ser completada apenas por nossa capacidade, seja de Sugestão ou Auto Sugestão ou por Intuição e Inspiração. Digamos que a Inspiração Divina vinda pelo Espírito pode ser definida como uma evidente interrupção das leis naturais que, mesmo a Psicologia somente a explica como extra-sensorial além de ego e consciência.

O melhor da vida é saber diferenciar os poderes que temos em nossa Divina Natureza de sermos um dia muito mais do que somos, e podemos fazer até milagres se descobrirmos quantos poderes mentais, internos e externos temos.

Melhor ainda é se sabemos reconhcer a voz do Espírito e diferenciá-lo. Precisamos convidá-lo e sermos dignos da Sua Presença para que Ele nos encha de luz e conhecimento.

Em 1 Tessalonicensses 5:19, Paulo diz: “Não extingais o Espírito”.
Hoje em dia o inimigo trabalha arduamente para extinguir essa sensibilidade espiritual que devemos ter. Um balanço na vida, profissional, pessoal, físico e espiritual é necessário para a boa saúde mental de todos.


É aí que entra o discernimento.
 
Aí podemos dizer que a prática leva à perfeição.


O jejum, a frequência ao Templo, renovar os convênios com o Senhor a cada Sacramento por exemplo, traz-nos mais perto de Cristo, mais sensíveis aos sussurros do Espírito.

O desejo de aprender e ser receptivo por exemplo não faz parte da auto sugestão, não implica a intuição nem sugere que reverência seja traduzida apenas como silêncio.
O Espírito dá às pessoas os sentimentos de paz, alegria, conforto. Nada disso pode ser (não por longo tempo a não ser uma mera sensação interior passageira) dado por sugestão ou intuição.

O Salvador prometeu: “Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito.” (D&C 50:24).

Os Sussurros do Espírito confirmam a verdade das coisas. Reconhecer o Espírito Santo é uma parte importante na construção do testemunho e da fé em Cristo.

Misticismo depende apenas de sugestão e intuição. Espiritualidade depende de prática e experiências sim, não somente de internalizar o que se ouve e se auto sugestionar.

A confirmação de uma Verdade dependendo desses dois polos da psique humana não durará por muito tempo. Aliás, pode durar até por uma vida, mas em um momento de pressão extrema, desaparecerá.

Ainda temos tantos temas que poderíamos discutir aqui. Dedução, Indução, Abdução, Realismo e Idealismo estariam coligados.

É preciso educar nossa fé, conhecimento, purificação, crescimento no cumprimento dos mandamentos de Deus, obediência aos Profetas que muito antes de nós ouviram a voz de Deus, submeteram-se a ela e aprenderam a discerni-la de outras vozes.

Se não damos estes passos à favor de nossa espiritualidade, não se aprende o discernimento.

O crescimento no discernimento, no saber ouvir a voz de Deus, segui-la, não distorcê-la, ser fiel a ela como Paulo e Daniel, é reconhecer nossa capacidade também de ouvir e ser guiado pela Voz do Espírito, não apenas sussurros.

Eu particularmente, sempre que vejo alguém que tem seu testemunho baseado em intuição ou sugestão, tento proporcionar a estas pessoas alguns meios para que tenham experiências que possam ajudá-las a discernir uma coisa da outra.


Alguns dizem que eu não sou muito fácil de me ‘emocionar’. Justamente por eu saber a diferença entre todos estes dilemas da mente humana, eu consigo claramente discernir quando um líder usa de sugestão para impor um princípio do evangelho. Mesmo em Conferências, muitas vezes todos a minha volta estão chorando, e eu sinto apenas um sentimento de pobreza em relação à pessoa que discursa, porque consigo identificar aqueles que tem seu testemunho construído na rocha ou na areia.
 
Eu tenho uma amiga que sempre foi ótima na Igreja, em seus chamados, sempre prestou um testemunho com uma oratória incrível. Uma grande provação, depois de quase 25 anos de membro, fe-la afastar-se. Bem, não era um testemunho muito firme, uma vez que era baseado em sua própria auto-sugestão, algo que ela queria acreditar, porque era bom, era correto, etc e tal. Ficou anos afastada até que um dia resolveu colocar seu orgulho um pouco de lado e pediu minha ajuda para entender o Evangelho. Eu tinha um projeto que estava fazendo por mim mesma com as crianças de rua daquela cidade e a trouxe comigo aquela tarde, no que, após várias horas ela me perguntou: “Como vc larga seus afazeres e vem fazer isso, sendo que ninguém sabe ou faz parte do que a Igreja está planejando fazer de projeto de serviço?”


Minha resposta foi algo em relação ao que Cristo faria. Ele agiu. E agindo, ela pode sentir algo diferente da sugestão.

Ha pouco tempo atras conversei com ela pelo telefone por ocasião de seu casamento na semana seguinte, no Templo, depois dos 40 anos de idade. Algo que ela então está fazendo muito conscientemente, pelo motivo verdadeiro, pela revelação verdadeira, por ter ouvido os sussurros do Espírito, ou mesmo sua alta voz naquele dia.

Não precisamos de aulas de Psicologia para entender isso. Desde a primária aprendemos que ‘o tolo é aquele que constroe seu testemunho na areia, e o sábio o faz na rocha.”
 
A rocha é Cristo.
 
Cada um, se for sincero e honesto consigo mesmo, é capaz de avaliar seu próprio testemunho, seus próprios motivos de estar na Igreja ou não. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, como diz Caetano. Independe de raça, nível social, herança ou cor. Todos sabemos exatamente o porquê de estarmos ou não comungando da Igreja de Cristo e Sua Companhia, e aprendendo a cada dia a ouvir os sussurros do Espírito.


Em alguma parte de nossos anos de vida seremos obrigados a enxergar o que realmente é importante para nossa existência.

Precisamos agir. Simplesmente dispor de algumas oportunidades não nos fará não responsáveis por nós mesmos ou pelos nossos.

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